quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Leitor




Kate Winslet representa muito bem.

O filme é doce e ao mesmo tempo dolorosamente denso, ao abordar o holocausto nazista.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Presidente no Sambódromo


Só houve aplausos.

Perdeu a Globo, perdeu Ali Kamel.

O jornal "O Globo" esqueceu que César Maia já não é mais prefeito: não tem na mão a máquina pública para financiar uma claque de vaias com apaniguados do DEMos, com dinheiro público da prefeitura, como aconteceu no PAN.

Quando a festa é do povo, na rua, nas arquibancadas, ou seja lá onde for, os quase 90% de popularidade de Lula falam mais alto, e sobram aplausos!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Poemas de Alejandra Pizarnik


El olvido

en la otra orilla de la noche
el amor es posible

-llévame-

llévame entre las dulces sustancias
que mueren cada día en tu memoria


13

explicar con palabras de este mundo
que partió de mí un barco llevándome


En tu aniversario

Recibe este rostro mío, mudo, mendigo.
Recibe este amor que te pido.
Recibe lo que hay en mí que eres tú.

Vértigos o contemplación de algo que termina

Esta lila se deshoja.
Desde sí misma cae
y oculta su antigua sombra.
He de morir de cosas así

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sobre Mano Chao


A hiperconservadora imprensa sergipana pouco ou nada falou de Mano Chao. Aqui há enorme controle da informação. Não há jornal de qualidade. Não existe uma rádio como a CBN, que, apesar de vinculada à Globo, proporciona debate saudável e tem dois ou três âncoras lúcidos.

Somos salvos pela FM da Universidade Federal de Sergipe, com boa música e notícias, além de programas culturais (um ótimo, literário).

Mano Chao é ativista da esquerda global. Participou de todas as edições do Fórum Social Mundial. E vem crescendo em importância, ano após ano.

Alguns versos da extraordinária canção Clandestino (do disco homônimo):

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazn
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

Contudo, o show dele na orla, na praia de Atalaia deixou a desejar. Parece que a banda estava mais preocupada em agradar a um público acostumado com barulho (forró, música de corno sertaneja e por aí vai) , do que em cantar suavemente para admiradores e fãs antigos. Creio que desta última maneira cresceria mais em importância!

Carlos A. Brito e a janela do espírito


A "realidade mais ampla"
é tema corriqueiro na boca de juristas e advogados

Os poetas falam dela
quando descem a lenha na tessitura social débil

Votos do ministro Carlos A. Brito ampliam a consciência
de indivíduos insensiveis

Abrem a janela do espírito de tantos quantos
têm o cheiro da moeda enfiado na alma.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Autoexílio


Esta a opinião do poeta Avelino Moreira, por e-mail, sobre suposto autoexílio deste blogueiro:

"Pensei no autoexílio, sim.Como o do Gonçalves Dias, vivendo em terras "portugas", especialmente quando ele expressa esse sentimento no poema Canção do Exílio, mas achei piegas citá-lo. Mas para o poeta, por mais moderno/racional que seja, os momentos mais difíceis são oportunidades para transformar dificuldades em sentimentos sublimes, em forma de arte, grandeza maior da cultura humana.
Imagina você que na Antiguidade o bardo Homero escreveu as obras-primas Ilíada e Odisséia, perambulando de cidade em cidade, da polis grega. Na Idade Média Dante escreveu sua obra-prima refugiado. Um pouco mais tarde, Camões, possivelmente, escreveu Os Lusíadas na China, provavelmente em Macau. Tempos depois Shakespeare escreveria obras monumentais, vivendo mambembamente, produzindo peças que não custearia a própria manutenção.

Além de Gonçalves Dias, me lembro, também, de Gullar, de que você, aliás, também tanto gosta, que escreveu um dos seus melhores poemas, o Poema Sujo, exilado na Argentina, em data recente!

Essa é a História, amigo. Os poetas têm uma espécie de missão, de, fazendo um trocadilho com o verso da Cora Coralina (outra 'exilada'), apreender o que vive, transferindo o que aprendeu, de forma monumental!

Mas nem todo exílio é, necessariamente, eterno. Lembras da canção do 'careta' Roberto Carlos, Debaixo dos caracóis dos teus cabelos, escrita quando da visita do 'Rei' ao exilado Caetano na Inglaterra?..."

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Enquanto faziam amor


Enquanto faziam amor
uma mulher loira de quarenta e cinco anos tomava sopa
em sua casa de praia, em Aracaju.

Os corpos imitavam o balançar da janela
ventos do verão,
e naquele instante um menino corria,
debaixo de chuva, no interior de Minas Gerais.

Eram um só, boca em boca
hálito único -
a mulher leva a colher aos lábios
e pára: uma lembrança antiga,
quando amou um rapaz, na adolescência.

Ofegos da mulher
o homem persegue o ápice -
o menino na chuva, desabalado
de bicicleta, sem medo de coisa alguma.

O vento e a janela, pra lá e pra cá.
A mulher loira agora se vê no fusca do namorado, quando ele ameaçara arremessar-se no cais, com carro e tudo, caso ela o deixasse, que a vida não mais teria sentido.

O amor intenso
as palmeiras
ventanias que vêm do mar
barulho de ondas.

O menino alcança quarenta quilômetros por hora
braços abertos fecha olhos por segundos
as rodas molhadas parecem levitar.

A mulher loira termina a sopa.

O amor finda.

O menino sobe a ladeira, a pé, carregando a veloz bicicleta.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Flávio Dino quer fim de cargo vitalício para ministros do STF



A disputa entre a mesa do Senado e da Câmara pela promulgação da PEC dos Vereadores é o "auge" da judicialização da política O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) lança mão do exemplo para justificar a decisão de apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) acabando com a vitaliciedade nos cargos e definindo um período de 11 anos para o mandato dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).


O deputado argumenta que, nos últimos anos, o STF assumiu papel de "tribunal político", sendo a instância de recursos nas polêmicas existentes no Congresso Nacional (PEC dos Vereadores deve ser resolvida por nova mesa diretora). Ao avaliar a situação, ele diz que essa é uma tendência inevitável e que já ocorre em países da Europa, como Espanha e Portugal. E lá, os ministros da suprema corte tem mandatos.

Para o parlamentar, a proposta não representa uma recriminação ao STF que, segundo ele, "mais acerta do que erra"; e sim uma tentativa de republicanizar a Justiça. "Na medida em que o Supremo passa a representar um poder político, o sistema brasileiro passou a ser tricameral, com a Câmara, o Senado e o STF. Como é da natureza da República a alternância no poder, a vitaliciedade passa a ser incompatível com o poder mais significativo que o Supremo passou a exercer", argumentou.

Ele explica ainda que a vitaliciedade e a estabilidade nos cargos públicos existem para imunizar as atividades técnicas contra as maiorias políticas. Quando o STF assume atividades que fazem parte do jogo político, passando a normatizar temas, por meio de Súmulas Vinculantes, que são autênticas leis, não há razão para vitaliciedade, por que as funções políticas são transitórias.

"O objetivo é conectá-lo ao jogo político que fazem", esclarece o parlamentar comunista, acrescentando que é preciso que haja uma renovação do pensamento do Supremo Tribunal Federal, não com a velocidade que se dá nas casas parlamentares, mas também que não haja essa eternização no exercício de um poder de natureza política.

Fonte: Vermelho.org.br

Poesia na blogosfera


Explosão de blogs
O poeta tece monólogos

Solitário, lê Sartre.

O Ser e o Nada do verso que acabou de parir.

Sartre, é certo, está em toda parte.

(Mais do que nunca, impende separar o joio do trigo.)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Com a palavra Caio Fábio


Muita coisa sempre aconteceu ministerialmente na minha vida pelas seguintes razões:

01. Não faço o que não devo fazer, não importando o tamanho do "apelo", e, assim, dedico-me à minhas prioridades;

02. Sou objetivo em tudo o que faço, buscando sempre o caminho mais simples para tudo;

03. Quando posso fazer ótimo, faço; mas, quando não posso, faço assim mesmo; pois, creio que muitas vezes o ótimo é o pior inimigo do bom;

04. Delego tudo o que outros possam fazer;

05. Tenho tido sempre muita gente boa me ajudando nas demais coisas;

06. Não perco tempo explicando o que já está explicado;

07. Digo o suficiente e deixo as pessoas se virarem também;

08. Não jogo e não me distraio com o que apenas me trai;

09. Divirto-me muito vendo bons documentários diariamente;

10. Não temo dizer o que penso, e, assim, penso e digo com simplicidade.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Valoroso Ministro Barbosa: sistema penal de faz-de-conta



"Eu sou relator nesta casa de uma série de habeas corpus relacionados a uma estrepitosa ação penal que tem curso no Estado de São Paulo. Só em relação a um dos réus, um dos réus, nos últimos quatro ou cinco anos, eu julguei, foram julgados, nada menos de 62 recursos. Em relação a um deles. Sessenta e dois recursos. Dezenas deles da minha relatoria, outros da relatoria do ministro Eros Grau, outros da relatoria do ministro Ayres Brito, aqui nesta corte. Portanto, o leque de opções de defesa que o ordenamento jurídico brasileiro oferece aos réus é imenso. Inigualável, não existe nenhum país do mundo que ofereça tamanha proteção. Portanto, se resolvermos politicamente, pois essa é uma decisão política e cabe à Corte Suprema tomar essa decisão, que o réu só deve cumprir a pena esgotados todos os recursos, ou seja, até o recurso extraordinário votado por esta corte, nós temos que assumir politicamente o ônus por essa decisão.

(…)Eu acho que não temos que ficar aqui estabelecendo a diferença entre o processo civil… Não. Essa é uma decisão política. Nós queremos ou não um sistema penal eficiente, eficaz, ou queremos um sistema penal de faz-de-conta. É exatamente isso.”

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Benjamim Button


O filme é mesmo muito bom. Vi ontem. Denso. Faz pensar. E é repleto de influências literárias. Proust. Garcia Marquez. Wolf. Entre outros. Mas tais referências são percebidas nas entrelinhas. Vale a pena. "Uns são advogados; Outros são artistas; Umas são mães..."

O terror econômico da grande imprensa


Artigo publicado no Observatório da Imprensa

O que indica a pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2009, dando conta de novos recordes na aprovação pessoal do presidente Lula e na avaliação positiva de seu governo? Os números se prestam a múltiplas interpretações, mas se partimos da premissa de que o simples desmascaramento de uma farsa ideológica já é suficiente para desmoronar todo o arcabouço que a sustenta, a imprensa saiu muito mal na foto. Não só ela como os que ainda acreditam que a consciência política de uma sociedade pode ser reduzida à agenda de sua mídia hegemônica.

Se toda informação, como destacava Herbert de Souza, "é, de certa forma, uma proposta ou elemento de formulação de propostas e essa é a matéria-prima fundamental para a ação política", o campo jornalístico vem sendo sacudido por atores ativos e conscientes dos processos de transformação política, econômica e social pelo qual o país vem passando desde 2003. E disso, os editores de confiança do patronato não se deram conta. De uma mudança significativa fora das ilhas de edição, fora das águas límpidas dos aquários.

A maneira como a crise econômica internacional tem sido noticiada não obedece a qualquer procedimento mais sofisticado. Não há qualquer preocupação em manter a imagem do próprio discurso como "imparcial" e "objetivo".O jornalismo de campanha pretende instalar o terror através dos conhecidos padrões de ocultação, inversão e fragmentação.

Manchetes que ignoram a apuração para obter impacto não revelam incompetência, mas disposição de submeter o leitor e/ou telespectador à desinformação, ao fatalismo de profecias que se auto-realizam, à erosão da popularidade de quem governa. Os dias que precederam a divulgação da pesquisa não deixam qualquer dúvida: vivemos o terrorismo de um enquadramento noticioso feito sob medida para a oposição.

Uma clara subordinação de quem deveria se nortear pelos interesses públicos aos desígnios de um bloco que quer pavimentar seu retorno ao aparato estatal em 2010 e reintroduzir uma agenda falida.

As falácias das editorias de economia foram detalhadamente expostas por Bernardo Kucisnki em seu magnífico "Jornalismo Econômico" ( Edusp, 2000). Não custa, no entanto, lembrar que a narrativa jornalística tem recorrido a elas como ponto central para sua narrativa.

Escolhendo-se pontos convenientes de uma série estatística e procurando desqualificar todas as medidas necessárias tomadas pelo governo lemos que “62% das obras do PAC estão atrasadas; 6% foi o recuo registrado nas vendas a prazo em janeiro em comparação ao mês anterior em São Paulo; 5% foi quanto encolheram as vendas à vista em janeiro em relação ao mês anterior; 9,5% foi o aumento da inadimplência no comércio em janeiro”.

Tudo isso jogado, sem qualquer contextualização, não é jornalismo, mas produção deliberada de lapsos de desentendimento. Análises rasteiras, escapistas, que substituem a revelação dos fatores determinantes da crise capitalista, é o que fazem diariamente Miriam Leitão, Carlos Alberto Sardenberg e Vinícius Torres Freire, entre tantos outros. Assusta a semelhança estilística e, no caso dos que aparecem em telejornais, a quantidade de recursos cênicos na busca da melhor “notícia ruim do dia."

Quando o presidente da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Clésio Andrade, diz que "concluímos que há forte esperança centrada no discurso do presidente e nas medidas que o governo vem tomando. O discurso do presidente é muito forte, ele cria esperança, divide o ônus, o que é muito importante numa crise econômica", uma estranha sensação de vertigem toma conta dos nossos condestáveis sacerdotes da opinião publicada.

Há algo de errado no cardápio diverso de uma realidade que insiste em negar seus arrazoados medonhos. Melhor tentar nova forma de enquadramento. Desistir, jamais.

PS: concordo com quem diz que ruim com a grande imprensa, pior sem ela. Mas o quadro é tão calamitoso, a perda de credibilidade e receita tão agudos, que ouso sugerir maior agressividade aos departamentos de marketing. Seria interessante assistir a uma peça publicitária em que a Folha tentasse atrair novos assinantes dizendo: “seja nosso leitor. Não pelo que temos. Mas pelo que não temos. Venha para o nosso jornal e não leia Merval Pereira, Ali Kamel e Miriam Leitão”. A réplica de O Globo, imagino, seria bastante criativa. E ambos teriam razão.

Gilson Caroni Filho é professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso, no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

PMDB: "Tá tudo dominado!"


Meteu-se goela abaixo do Congresso Nacional e do País o partido-ônibus PMDB. A tradição de alternânica no comando das duas Casas foi quebrada e o Sir Ney velho de guerra volta ao cenário, anos após a ida para outros mundos do Coronel ACM. O conservador constitucionalista Temer é, pela terceira vez, O terceiro homem forte da República.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O poema atoleimado


A prova fatal de que o poema não cumpre sua função:
Na areia da praia
No monturo
horda de crianças jaz, no crack,
e meninas vendem o corpo por vinte reais.

A prova de que o verso é parva lesma:
Bancos tratam com gentilezas sem-fim certos empresários
que vivem de furtar a vida e a alma de sergipanos pobres!

A prova de que a palavra no poema é uma mierda:
políticos corruptos seguem amparados por.

A prova de que a lírica do poeta é covarde:
um dos versos anteriores silenciou-se, pôs o rabo entre as pernas.

Se não bastam tais provas,
mais outras:
o bispo fecha olhos para práticas nefandas do prefeito, do vereador e do deputado;
Jesus é moeda de troca nas congregações neopentecostais;
o policial arrisca a vida por salário parco;
o professor ensina em troca de migalhas;
oligopólios e cartéis vicejam!

Bah, queres mais prova?
Esquece o poema e cuida de tua vida!
Vá!

Para manter Lei do Petróleo e controlar o Pré-Sal, lobbies buscam desmoralizar a Petrobrás


Por Gabriel Brito e Valéria Nader

20-Jan-2009

Maior e talvez mais emblemática empresa brasileira, a Petrobrás começa 2009 da mesma maneira que terminara 2008, isto é, no centro dos mais importantes, e acalorados, debates nacionais. Acusações de má gestão, empréstimos questionados, pesadíssimo jogo de influência nos corredores políticos em torno do marco regulatório petroleiro foram todos pontos respondidos por Fernando Siqueira, novo presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), em entrevista concedida ao Correio da Cidadania.

Explicando serem de rotina os empréstimos tomados no final do ano passado, Siqueira alerta para uma nova campanha de desmoralização da empresa diante do público, o que seria estratégico para os setores interessados na manutenção do atual marco regulatório do petróleo.

No entanto, não referenda completamente a gestão da empresa, como, por exemplo, no que se refere à situação de alguns funcionários, especialmente terceirizados, que trabalham sob condições precárias (foram 15 mortes em 2008). Tal deterioração de sua infraestrutura, aliás, poderia não ser mera coincidência em meio às descobertas do pré-sal e à grande interrogação nacional sobre quem exercerá o controle dessa fortuna não renovável. Leia mais aqui.