sexta-feira, 27 de junho de 2008

Fluxo de consciência


A técnica do fluxo de consciência, na qual o monólogo interior do personagem-narrador dá a palavra à manifestação direta do pensamento, foi originalmente adotada por Edouard Dujardin no romance "Les Lauriers Sont Coupés", logo depois reverberada em Joyce e retrabalhada em "Ulisses", romance de formação que a projetou definitivamente como uma técnica marcante na evolução da literatura universal, influenciando escritores modernos como Virginia Woolf, Faulkner, Broch e, no Brasil, Clarice Lispector e João Guimarães Rosa.

Apresentação da comunidade Fluxo de consciência

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ayaan Hirsi Ali


Nascida na Somália, Ayaan viveu exilada na Arábia Saudita, Etiópia e Quênia e fugiu para a Holanda quando foi obrigada pelo pai a se casar com um primo que morava no Canadá. Na Europa, ajudou a produzir um documentário sobre a situação das mulheres muçulmanas e foi ameaçada de morte por radicais muçulmanos.

Ayaan Hirsi Ali se formou em ciências políticas e elegeu-se deputada da Câmara Baixa do Parlamento, onde ficou de janeiro de 2003 a maio de 2006. Deixou o país no final de 2006, após perder o cargo e a cidadania holandesa, acusada de mentir ao solicitar asilo. Atualmente vive em Washington, nos Estados Unidos.

No livro autobiográfico "Infiel, a história da mulher que desafiou o Islã", de 2007, Ayaan Hirsi Ali conta a sua trajetória. Neste ano, ela lança o livro "A Virgem na Jaula: um apelo à razão", onde retrata a experiência adquirida com a proximidade que manteve com famílias muçulmanas, que, mesmo no ocidente, mantêm os costumes de seus países de origem.

Para enviar a sua perguntar, favor visitar o site do programa: www.tvcultura.com.br/rodaviva

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Os anos*


Entram como animais vindos
Do espaço de azevinho onde os espinhos
Não são os pensamentos que eu ateio, como um praticante de Ioga,
Mas apenas, o verde, pura escuridão
Nela gelam e são.

Ó meu Deus, não sou como tu
Na tua vaga obscuridade,
As estrelas coladas por todo o lado, estúpidos confeitos brilhantes.
A eternidade aborrece-me,
Eu nunca a quis.

Do que eu gosto
E do pistão em movimento -
A minha alma morre só de o ver.
E os cascos dos cavalos,
Esse desapiedado ruído de cascos no chão.

E tu, Estase maior -
O que há de importante nisso?
Será um tigre este ano, este rugido ao pé da porta?
É o de um Christius,
O terrível

Freio de Deus nele
Morto por voar e acabar assim?
As bagas do sangue são elas mesmas, estão muito quietas.

Os cascos não vão ter,
Na distância do azul, os pistões assobiam.

* Sylvia Plath

Tradução de Maria Fernanda Borges

Quase hai indica: Luis Buñuel


Diretor espanhol de cinema. Seu modo de entender a sétima arte vem de seu interesse pela poesia de vanguarda (criacionismo e ultraísmo). As raízes de seu humor abrupto e chocante, de sua análise minuciosa, quase compulsiva, da moral e da repressão burguesas, de sua obsessão pela religião, pelo erotismo, pela morte e pelas misérias humanas devem ser buscadas no melhor realismo espanhol. Filiando-se ao surrealismo, chamou Dalí para escrever o roteiro de Un chien andalou (1929), ao qual se seguiria L” age d” or (1930), considerado outra obra-prima do cinema de vanguarda.


Em 1947, foi para o México, onde alternaria seus filmes denominados de sobrevivência com obras realmente pessoais. Entre seus numerosos trabalhos (quase todos produzidos na França) destacam-se: Os esquecidos (1950), Escravas do rancor (1953), Ensayo de un crimen (1955), Nazarin (1958), Viridiana (1961, ambos premiados com a Palma de Ouro em Cannes); O anjo exterminador (1962), Simão do deserto (1965), A bela da tarde (1966), O discreto charme da burguesia (1972), entre outros.

“O pensamento que me segue guiando hoje, aos setenta e cinco anos, é o mesmo que me guiou aos vinte e sete. É uma idéia de Engels. O artista descreve as relações sociais autênticas com o objetivo de destruir as idéias convencionais dessas relações, pôr em crise o otimismo do mundo burguês e obrigar o público a duvidar da ordem estabelecida.” L. Buñuel.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Como a madrugada produz incêndios!


a noite
e o silêncio dela

os homens dormem e
gira o planeta

o canavial: acalenta-lhe o orvalho

as cidades do interior
paradas no tempo?

shoppings nas capitais apregoam:
o capital não matará o dióxido, nunca!

a música
o livro
o sono

como a madrugada produz incêndios! (alheia aos movimentos dos que amanhã serão chefes/
de executivos municipais, e amealharão os pálidos recursos do erário,/
e à mais absconsa e putrefata merda mandarão o povo, que estará, então,/
entregue à própria sorte e ausência de consciência!/
assim atuam os que açoitam, na imundície midiática diária, o presidente operário:/ deletéria indiferença!)

domingo, 15 de junho de 2008

Memórias do Subsolo



Três comentários sobre Memórias do Subsolo, de F. M. Dostoievski:

Um achado fortuito numa livraria: Memórias do Subsolo de Dostoiévski(...) A voz do sangue (como denominá-lo de outro modo?) fez-se ouvir de imediato e minha alegria não teve limites" - Nietzsche.

"Ela não pode ser recomendada àqueles que não são bastantes fortes para sobrepujá-la nem bastante inocentes para não se envenenarem. Ela é um veneno forte, sendo preferível deixá-lo intocado" - D. S. Mirsky.

"Para mim todo Nietzsche está em Memórias do Subsolo. Neste livro - e até hoje não o sabem ler - se dá para toda a Europa a fundamentação do niilismo e do anarquismo." - Górki.

sábado, 14 de junho de 2008

Um fórum para democratizar a mídia


Acontece neste final de semana na Universidade Federal do Rio de Janeiro o 1º Fórum de Mídia Livre. A iniciativa, que congrega inúmeros setores sociais, desde jornalistas, entidades do movimento social, blogueiros, sites da Internet, está inserida dentro da crescente demanda por mais espaços e pluralidade de conteúdo na mídia nacional.

Levantamento dos organizadores estima que cerca de 900 pessoas se inscreveram para participar da atividade, o que mostra a oportunidade do evento e a urgência em se realizar debates acerca de uma questão tão relevante para a sociedade, que majoritariamente vive sob o cerco de uns poucos grupos de comunicação, que impõem quase que livremente uma ditadura midiática sobre o conteúdo que circula em rádios, TV´s, jornais e revistas.

A compreensão de que é preciso enfrentar com medidas políticas, legislativas, jurídicas e econômicas a concentração e o abuso do poder dos grandes meios de comunicação exige articulação e ação imediata da sociedade. Historicamente vinculado a interesses econômicos privados, esses grandes grupos têm aprofundado a sua falta de compromisso com o jornalismo e com a sociedade e aumentado seu tom golpista e ditatorial.

Daí a urgência da construção de uma agenda em com propostas concretas para a democratização da comunicação no Brasil. O Fórum, que se realiza, se estrutura com esse intuito, em torno de eixos temáticos que expressam essa agenda, como a questão da descentralização das verbas de publicidade pública, o fortalecimento das mídias livres, portais, revistas, jornais e emissoras que se propõem a ter, dentre do atual contexto, uma postura mais livre, diversa e plural.

O evento que se realiza tem, sem dúvida, uma importância elevada nessa luta, contudo, a articulação dos movimentos e setores em torno dessa pauta não pode esfriar após o encontro do Rio. Seria fundamental que a iniciativa se espalhasse pelo Brasil, com a realização de Fóruns Estaduais. Trabalhar intensamente com as propostas aprovadas apresentando-as governos e parlamentares para angariar poiadores de maneira a multiplicar o movimento, dotando-o de iniciativas que possam resultar, efetivamente, em ações legislativas para fortalecer a mídia livre.

O Vermelho é entusiasta dessa luta e participará ativamente das mobilizações para que a sociedade brasileira tenha uma mídia livre.

Fonte: Vermelho.org.br

sábado, 7 de junho de 2008

Com a palavras, Yourcenar


Há livros a que só nos devemos abalançar depois dos quarenta anos. Antes dessa idade corre-se o risco de desconhecer a existência das grandes fronteiras naturais que separam, de pessoa para pessoa, de século para século, a infinita variedade dos seres, ou, pelo contrário, de dar exagerada importância às simples divisões administrativas, às formalidades da alfândega ou às guaritas dos postos armados. Foram-me precisos esses anos para aprender a calcular exactamente as distâncias entre o imperador e eu.

Marguerite Yourcenar, Notas sobre As Memórias de Adriano

Borboletas e falenas flutuam nas ondas


Parece que Virginia Woolf ficou fascinada pelas falenas depois de ler uma carta da sua irmã Vanessa onde esta dizia: «a dança louca das falenas à volta da lâmpada, ao meu redor». Esse fascínio foi tão forte que ela começou a forjar uma novela a que iria chamar «As falenas». Quando terminou a obra, intitulou-a, afinal, «As Ondas».

As borboletas dançam nos primeiros dois tempos da novela, ao despertar do dia e durante as descobertas da infância. As crianças caçam as borboletas que poisam nas flores, assim varrendo a superfície do mundo. Elas enchem as redes de asas esvoaçantes. As palavras lembram, aqui, uma pintura colorida uma música alegre ou uma dança divertida.
Rhoda é diferente, os seu olhos "assemelham-se áquelas flores pálidas, onde as borboletas nocturnas vêm poisar".
Bernard começa a coleccionar frases e quando olha para o sol poisado no parapeito da janela, escreve na letra B: "Pó de borboleta".
Os outro míudos, os gabarolas, os jogadores de críquete, os funcionários da Natural History Society, esses arrancam as asas às borboletas...

Depois, o sol começa a descer e no lusco-fusco surgem as falenas que povoam as noites e procuram a luz dos candeeiros, entontecidas. "Durante alguns instantes, tudo estremeceu e se curvou devido à incerteza e à ambiguidade, como se uma grande borboleta nocturna que percorresse a sala tivesse ocultado com as asas a enorme solidez das cadeiras e das mesas".
Na maturidade, Bernard, ao descrever o velho impulso que sempre o moveu, parece descrever os movimentos duma mariposa:" o de me deixar vogar ao som das vozes dos outros entoando a mesma melodia; o de ser atirado para cima e para baixo de acordo com uma alegria, um sentimento, um triunfo e um desejo quase que despojados de sentido".

ATL

no blog Leitura Compartilhada