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Mostrando postagens com o rótulo poemas

Se temes as estrelas

Se temes as estrelas E o manto quente do sol E as labaredas de luz da lua nova E o frescor infinito do mar, no verão E todas as cores dos peixes azuis E todos os olhos pequeninos dos colibris Se foges das gotas de chuva E te abrigas sob casebres às vezes tristes Ou sozinha ficas e choras também Onde espreitas, pelas fendas estreitas da velha madeira, Os olhos do mundo os assovios das palmeiras E os volteios de borboletas Que amas - e temes Se achas que o sorriso no inverno fere teus lábios débeis Se te escondes da força de olhos negros (ou azuis de um azul Que não entendes) Se te inquietas com tanto amor, tanta vida, Tantos rodopios suaves das meninas em flor, Com os gracejos-dentes-de-cana-açúcar dos meninos... Precisas conhecer a teia Que vai enredando a felicidade Em cada um de nós! ii. O sorriso da alma está no olhar o céu E perceber a dança de pássaros E, mesmo sem estes aventureiros de árvores e anis, Imaginá-los em loopings e bandos de meninos-páss...

Reveillon em Pirenópolis (2008)

Montes, árvores do cerrado. Todos os nomes de caules retorcidos; lixeirinha, orelha-de-negro, umburuçu, corda-de-viola; O verde explode, belo! Cachoeiras, águas serpenteiam arco-íris. Primeiro dia do ano em Pirenópolis e a lembrança de Jorge Luis Borges em São Paulo. Stephen Hawking e a música que colore a tarde. Música eletrônica entreluzindo 2008. A morenaluzbelavozdeusa: Maria Rita cantando Noel! A promessa de ler os dois livros do Raduan: Na primeira hora do ano Lavoura Arcaica e Um Copo de Cólera brincaram no trapézio da inquieta lembrança. Ano que vem de novo, sim.

Auroras

há magia no brotar da flor, no cerrado, no oeste da bahia? há beleza na parreira que trepa auroras? há mistérios na loira que nada caudaloso rio, aos 19?

O furor da vida

assassinato de si: navegar, tuitar, ficar no emessene. a vida explode no espelho selvagem do atlântico! aves azuis acusam o furor da vida!

Versos no twitter

(como se vê, a poesia irrompe em tardes estranhas. tuitar é uma desculpa para o poeta descobrir-se outro!) "q caiam os antros, as igrejas!" » II) aos 55, ela o espera, após o banho com alfazema, sentada no alpendre da casinha humilde. cantarola a canção que o embevecia, aos 20. » I) aos 70, ele caminha meia dúzia de léguas, em busca da flor q depositará nos cabelos mágicos da amada. com desvelo, protegerá a orquídea. » há magia no brotar da flor, no cerrado, no oeste da bahia? há beleza na parreira que trepa auroras? há mistérios na loira que nada, aos 16? » II) os passos dela, lerdos. o sorriso dele, ao vê-la, curva, avançar, lentamente. os olhos tímidos de ambos se encontram. o atlântico, ali. » I) agora, em joão pessoa, pb, inda um casal de anciãos volta do mercado de artesanato, para onde rumaram, após o almoço, às 11 e meia. » agora tb, no alaska ou no topo da groelândia, seres do gelo passeiam, levitam acima da alvura eterna, incansável. se ali 1 flor ...

DF pálido*

Sol gigante, desconhecido Fogos secos na tarde Cobrem a cerrada cidade sem claras águas Nem lobos-guáras rodeiam mais os arbustos e os córregos Nem jaguatiricas ou micos-leões-dourados A terra é roubada e homens desconhecidos erguem mansões Viram políticos. A capital de meu país, fria e árida, Em junho e julho ainda respira, Apesar do Coronel que a desgoverna. 27.06.2004 *escrevi há alguns anos esses versos, que protestavam (e são atualíssimos!) contra o hoje agonizante rorizismo

A flor azul: flores (de novo no blog)

“a gente chora por que finda a tarde e finda a noite a lua mansa e a gente dança venerando a noite quando é dia o sol levanta e a gente canta o sol de todo o dia” caetano veloso) i. por que não lêem poesia? por que não provam o poema? por que não amam a palavra acesa no calor do verbo? será por exalar (o poema) luz vastíssima e colorir os céus como pássaros-flores em pétalas lírias? quê há? a poesia é música (e, por certo, e por exemplo, Deus criou essa voz-caetano qual cifra que serpenteie entre os elos das cordas do elomar qual beatriz derramada nas milton-voz-minas-gerais qual pinheiro-leila acariciando-se no russo — naquela águavoz eduardo e mônica ave voz ave som ave palavra uma só palavra-vislumbre: tempo vento ii. eu só entre homens esquálidos no país que – trôpego – discute a ausência de ética e, em transe, venda olhos à polícia que, agora, como nunca, tolhe a liberdade (pois que de tudo se vê, até magistrado com algemas!) eu só entre mul...

Aracaju, o mar e o rio

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De minha janela, diviso o Atlântico. A linha tênue do horizonte aponta para o passado e para o futuro. O presente é esta apreensão de horas e o respirar ofego. Cabral, Colombo e os outros descansavam ao pôr- do-sol? Ignoro. Tampouco desconheço se pescadores respiram fundo ao mirar as vagas que estrondam, afugentando o calor da tarde, na umidade dos líquidos. As mesmas ânsias destes tempos serão substituídas por outras, várias, renovadas, o que fará eclodir outras necessidades. Deveria ter esperanças no novo Homem? Acaso estes Tempos o engendrarão? A fúria financeira parece segredar que não! Mas, dizia eu, de minha janela vejo os azuis longínquos: do firmamento, de nuvens estabilizadas e do próprio mar. A linha de que falei antes parece invisível, mas está ali, firme. Aracaju resistirá, daqui a trinta anos, quarenta anos? Avançará o mar? Ou novo pacto será travado, e o vigor das águas respeitará a morada dos homens? Estes, por sua vez, saberão bem-viver, em fraternidade jamais vista, ou...

Escrever lúcido ou não

Hoje no "Pensar", do Correio Braziliense (algo ainda resta do antes bom jornal), Carlos Marcelo tanscreve fala de um romancista no The Guardian: “Nada de álcool, sexo ou drogas enquanto estiver escrevendo”. Claro que Kerouac não se aproxima da grandiosidade de um Proust, que se isolou em um quarto vedado com cortiça e produziu uma obra inimaginável antes. É evidente que a droga de Rosa era a palavra, as andanças, o cheiro e a chuva do sertão, entre outros mágicos elementos. Ora, se a música é boa e se sorves o vinho bom e antigo, acaso não poderias parar e registrar o que pensas e inferes desta trágica vida? Drummond bebericava e o poema imergia, denso, puro, domado! Que assim seja! E aqui, ó, pros moralistas de plantão!

Dramatizando, indagando

"não dramatizes nao invoques nao indagues" Oh Drummond, como é possível? "prometi-me possui-la muito embora ela me redimisse ou me cegasse" oh Gullar, ainda assim? no desespero, o verso débil prenuncia o fim da tarde o sol se põe e é como se toda uma vida se aquietasse o barulho das madrugadas a zoada risos tempestuosos as cartas sobre a mesa o dominó a puta de amplas pernas e ancas fartas o tráfico viceja o crack implode com a paz de garotos e meninas-mães o veículo cruza ruas putrefatas fudidas o que buscavas? o que buscávamos? o que buscam os homens ditos públicos, em Brasília? o que quer a mídia, coalhada de mentiras? a farra com os recursos públicos em quatro mil e novecentos municípios! o pobre sergipano, após o dia sob sol ardente, senta e repara reluzentes hi lux de políticos corruptos cruzarem a rodovia (não desconfia que o voto seu fora, de fato, imbecil, suicida, como já o disse milhões de vezes um tal Brecht) larápios em todo canto! inclusive em RS e SC,...

Cantada

Você é mais bonita que a ponta da praia do Saco, em Sergipe, no final da tarde Você é mais bonita que um rio de águas cristalinas que conheço, lá na Bahia Você é mais bonita que uma borboleta bêbada Que um um peixe tonto, nadando de manhãzinha Que um ultra-leve cortando o céu azul Você é mais bonita que uma mulher bronzeada, mirando o Farol da Barra Você é mais bonita que a P-36, antes de afundar Mais bonita que Kim Basinger, Demi Moore, Sharon Stone, Luana, Fernanda Torres e Penélope Cruz Que o Palácio do Planalto mais bonita que Brasília, que o cerrado Mais linda do que Lula e Marisa no dia da posse, em 2003 Olha, você é tão bonita quanto a poesia dos poetas cubanos blogueiros!

Os que escreveram

Kafka judeu em Praga. Borges cego na periferia erma de Buenos Aires. Quasímodo: Hermes contra o metálico fascismo. Gogol tecendo luzes n'almas densas. Dickens a descrever o triste olhar de Oliver Twist. Hansen grita a fome tal como Münch ecoara a dor - o grito. Além: Grimm e Andersen que Lobato conheceu por vírgulas Cá: Rosa resvalando garças em várzeas sob pontes Ou vôos de só graça dessas aves. Clarice assustada com o russo dos subterrâneos e da remição Advogada sem lei. Deusa-anjo de Wenders. Leitora densa de de Virginia Woolf. Cecília e o mito do estar só em contemplação de nada. Implodindo Sartre. Osman Raduan Hatoum Antônio Torres e Torres Filho: Tantos e outros nem nomes sem cara mas folhas. Versão de 28/10/2005

Olvide números

olvide números leia nuvens plantas bichos pios de aves e vôos de borboletas sinta canaviais pardais gorjeios de joões-de-barro no ninho pressinta a chuva invente gravetos molhados olor de grama e capim seja o silencio da relva e da pétala flor do cerrado o galho a balançar o bambuzal as estrepolias dos gaviões-de-penacho vislumbrar por que o concreto da cidade nova se há ao lado um éden um riacho laranjais e o cântico do silêncio e do vento o sibilante sorriso da brisa? Aqui a cidade nova é Águas Claras, em Brasília. Centenas de edifícios ganham vida, da noite para o dia. Ao lado, um parque com imensa floresta, riachos, pássaros e riquíssima flora do cerrado.

Carlos A. Brito e a janela do espírito

A "realidade mais ampla" é tema corriqueiro na boca de juristas e advogados Os poetas falam dela quando descem a lenha na tessitura social débil Votos do ministro Carlos A. Brito ampliam a consciência de indivíduos insensiveis Abrem a janela do espírito de tantos quantos têm o cheiro da moeda enfiado na alma.

Enquanto faziam amor

Enquanto faziam amor uma mulher loira de quarenta e cinco anos tomava sopa em sua casa de praia, em Aracaju. Os corpos imitavam o balançar da janela ventos do verão, e naquele instante um menino corria, debaixo de chuva, no interior de Minas Gerais. Eram um só, boca em boca hálito único - a mulher leva a colher aos lábios e pára: uma lembrança antiga, quando amou um rapaz, na adolescência. Ofegos da mulher o homem persegue o ápice - o menino na chuva, desabalado de bicicleta, sem medo de coisa alguma. O vento e a janela, pra lá e pra cá. A mulher loira agora se vê no fusca do namorado, quando ele ameaçara arremessar-se no cais, com carro e tudo, caso ela o deixasse, que a vida não mais teria sentido. O amor intenso as palmeiras ventanias que vêm do mar barulho de ondas. O menino alcança quarenta quilômetros por hora braços abertos fecha olhos por segundos as rodas molhadas parecem levitar. A mulher loira termina a sopa. O amor finda. O menino sobe a ladeira, a pé, carregando a veloz bi...

O poema atoleimado

A prova fatal de que o poema não cumpre sua função: Na areia da praia No monturo horda de crianças jaz, no crack, e meninas vendem o corpo por vinte reais. A prova de que o verso é parva lesma: Bancos tratam com gentilezas sem-fim certos empresários que vivem de furtar a vida e a alma de sergipanos pobres! A prova de que a palavra no poema é uma mierda: políticos corruptos seguem amparados por. A prova de que a lírica do poeta é covarde: um dos versos anteriores silenciou-se, pôs o rabo entre as pernas. Se não bastam tais provas, mais outras: o bispo fecha olhos para práticas nefandas do prefeito, do vereador e do deputado; Jesus é moeda de troca nas congregações neopentecostais; o policial arrisca a vida por salário parco; o professor ensina em troca de migalhas; oligopólios e cartéis vicejam! Bah, queres mais prova? Esquece o poema e cuida de tua vida! Vá!

Jazz

A aridez anterior à música. Cordas. Agora não mais alinhar-se ao mundo torpe. Não mais a ausência. Joe Pass sangue Joe Pass como pétala soprada do cume da montanha Joe Pass eco Joe Pass: lira viva Dança que transmuta páginas ermas de livros antigos!

Hálitos e miríades

para você Sabes como agradar seu bem-querer? Meu coração se contenta, se aquece Com muito pouco, pouco mesmo Nesgas de teu céu em minha lua Raspas de tuas nuvens a esmo Fatias finas de nós, andejos Sussuros e miríades De hálitos após beijos E constelações de hamadríades Quando nos amamos, benfazejos.

Quando um pássaro brinca na grama

Todas as imponderabilidades Incongruências Nervuras Todos os percalços da alma Os desenhos opacos Os ocres traços Os passos tíbios O débil olhar Tudo tudo e tudo o mais Vai-se embora Quando um pássaro brinca na grama, levita, saltita, E é visto. Com renovado vôo, a ave ala, para retribuir a lembrança. E vai-se embora.

Putas*

p-u-t-a-s e outras milongas ditas noite e dia aqui nestacademia rota farrapo puro por certos escritoresescrotoswritersescrivães depalavrasvãsvagas sem lume nem voz: roucas sílabas onde o afeto no lombo da tez da mágica outrora pálida palábora palávrora? arvora ares ais! putas? deixem-nas em paz! gregório: mata a miséria desses infames! macera esses abjetos homens de versos vis! fardões e peitos em estufas sem-fim! bah! (antes abraçar o verso que resvala o céu claríssimo de brasília!) * acerca da literatura medíocre de alguns "Magos"