O amor, na serra*
Era princípio de manhã. Entre lua e sol o mundo. A maré baixa. Pássaros raros. O vento leve. Então, suspira ela, evadindo-se de eventual inoportuno enfado: “Como ser triste com tanta explosão de luz, cor e mistério, Deus meu!?” A noite, após o caudaloso amor feito, havia sido branda. Nem minúsculo fio da inquietação que a toma na cidade. Sim, macia e fácil a noite. A clara luz do dia agora a banhar o corpo dele, que dorme. Salta da cama e percorre a varanda onde crisântemos teimam em manter olhos-pétalas abertos — e as violetas despontam! Pensa lerdamente nas múltiplas visões, nos traços malriscados da madrugada epíloga, nos desenhos acima do mar e dentro dele, principalmente. Vira, da janela, estrelas e o hálito do oceano cingindo-as. Suspira, molemente, e caminha até a praia. Gostava de ficar horas sorvendo o movimento das ondas, o fluxo e o refluxo, o serpenteio delas. A areia, o mar meio verde-escuro, meio negroalvo. *** De volta à casa. Os pássaros, mirados do alpendre, são borbol...