Relvas*


a Frei Luiz

relva das folhas
das outras relvas

frutos puros de desejos obscuros

árvores das árvores
embaixo o silêncio
o culto ao silêncio
é só homens nus de mãos dadas
sorrisos

nada de batinas
de capuzes
nem de livrozinhos litúrgicos

um certo galileu orava
numa tarde de um dia duma semana
tinha 31 anos e alguns meses
era verão
um galileu orava fitando coisas
lá em cima

perto dele nada de carrapichos
nada de nada
apenas gramas e relvas
(nada de espinhos)

relvas das folhas das outras relvas

* poema escrito entre 1984 e 85 (aos 16-17 anos de idade deste blogueiro), no interior da Bahia; foi, à época, dedicado ao Frei Luiz, atual Bispo da Diocese de Barra-BA, em greve de fome há quinze dias. Postado hoje, sem alterações.

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